Saudação simples em Wolof

Salaamaalekum xarit! Na nga def?

 

Na lição de hoje gostaria de lhes mostrar como realizar uma pequena conversação de saudação em Wolof. Juntamente com ela, você poderá aumentar seu vocabulário e conhecer um pouco mais da cultura. A apresentação que se segue, embora adaptada, baseia-se no livro “J’apprends le Wolof” (Eu aprendo o Wolof), publicado pela editora Karthala. As notas o ajudarão a compreender um pouco da gramática wolof e da cultura senegalesa.

Se você tiver alguma dúvida quanto a pronúncia das letras e/ou palavras, consulte nosso guia publicado aqui.

  1. Njàng mu jëk
  2. Nuyoo.
  3. Ci kër Khadim.
  4. William Zimmermann (W.) ak Khadim Gise (K.).
  5. W. Salaamaalekum !
  6. K. Maalekum salaam ! Ah ! William ! Zimmermann !
  7. W. Gise !
  8. K. Zimmermann!
  9. W. Gise! (*n.1)
  10. K. Agsil (*n.2)! Na nga def ? (*n.3)
  11. W. Maa ngi fi rekk (*n.4).
  12. W. Sa (*n.5) yaram jàmm ?
  13. K. Jàmm rekk.
  14. W. Ana waa kër ga ? (*n.6)
  15. K. Ñu nga fa. (*n.4)
  16. W. Naka sa (*n.5)  jabar ?
  17. K. Mu ngiy sant Yàlla (*n.4). Ana waa kër gi ? (*n.6)
  18. W. Ñu ngi fi (*n.4).

Vocabulário

  • Verbos:
    • Jàng. Ensinar/aprender;
    • Nuyu. Cumprimentar;
    • Nuyoo. Se cumprimentar;
    • Sant. Agradecer (graças);
    • Jëkk. Ser o primeiro;
    • Def. Fazer;
    • Àgg. Chegar;
    • Agsi. Chegar até o lugar onde se encontra o locutor.
  • Substantivos:
    • Njàng m-. Lição;
    • Nuyoo b-. Cumprimento/saudação;
    • Bërëb b-. Lugar;
    • Kër g-. Casa;
    • Jabar j-. Esposa;
    • Waa kër g-. Casa, mas no sentido dos que moram na sua casa;
    • Jàmm j-. Paz;
    • Yaram w-. Corpo.
  • Outras palavras:
    • Ci. Em, sobre/em cima de, na/no;
    • Ana. Onde é, onde estão;
    • Naka. Como?
    • Fi/fa. Aqui/lá;
    • Rekk. Somente.
  • Palavras suplementares:
    • Jëkkër j-. Esposo/marido;
    • Loxo b-. Mão;
    • Tank b-. Pé/perna;
    • Bopp b-. Cabeça;
    • Nopp b-. Orelha;
    • Bët b-. Olho;
    • Bakkan b-. Nariz;
    • Baat b-. Pescoço;
    • Gémmiñ g-. Boca;
    • Làmmiñ w-.  Língua;
    • Dënn b-. Peitos;
    • Cant w-. Agradecimento.

Com essas informações, já consegue saber o que William e Khadim estão falando? Qual é a situação da conversa? Onde William e Khadim estão? Veja a descrição da conversa abaixo, em português.

  1. Primeira lição
  2. Saudações.
  3. Na casa de Khadim.
  4. William Zimmermann (W.) e Khadim Gise (K.).
  5. W. Que a paz esteja contigo ! 
  6. K. Com você sua paz ! Ah ! William ! Zimmermann !
  7. W. Gise !
  8. K. Zimmermann!
  9. W. Gise!
  10. K. EntreComo vai você ?
  11. W. Vou bem.
  12. W. E você, vai bem ?
  13. K. Tudo bem.
  14. W. Como vai tua família ?
  15. K. Eles vão bem.
  16. W. Como está sua esposa ?
  17. K. Ela vai bem, graças a Deus. E os da tua família ?
  18. W. Eles vão bem.

Compare a tradução que fiz da conversação. Notou que, se formos traduzir literalmente irá soar um pouco estranho para nossa cultura? A expressão, “Jàmm rekk”, por exemplo, literalmente significa “Só na paz”. Lembre-se: ao estudar uma nova língua você está estudando uma nova cultura, um jeito diferente de pensar. Wolof é bem diferente de qualquer língua latina (espanhol, francês, português, italiano, etc.) ou germânica (alemão, inglês, etc.). A estrutura da língua é diferente, bem como a de pensamento.

Notas gramaticais

(*n.1) Você notou que há uma repetição de nomes/sobrenomes após o cumprimento inicial? Na cultura wolof é comum repetir muitas vezes o nome da pessoa com quem você está falando quando você a cumprimenta;

(*n.2) Agsil = imperativo da Segunda pessoa do singular de agsi, que significa “chegar”. Veja mais sobre o modo imperativo neste artigo.

(*n.3) Na nga def ? Como vai você? Essa construção interrogativa só é utilizada na segundaterceira pessoa. Ela significa literalmente “Como você tem feito?”

Na é uma variante do naka (como?).

Singular |  Plural
1. (eu) não existe | (nós) não existe
2. (tu) na / naka nga def ? | (vós/vocês) na/naka ngeen def?
3. (ele) naka la def ? | (eles) naka lanu def?

(*n.4) Maa ngi fi rekk. Eu vou bem!

Esta forma de cumprimento padrão significa, literalmente: “Eu estou aqui somente”. Usamos essa mesma construção, chamada presentativa, para localizar o sujeito em um espaço próximo do locutor.

(*n.5) Sa yaram = teu corpo | sa jabar = tua mulher

É assim que se apresenta os pronomes possessivos no singular. Em outra lição falaremos mais sobre os pronomes possessivos.

(*n.6) Ana waa kër gi? / Ana waa kër ga ? aqui traduzidos como “Como vai sua família?” significam literalmente: “Onde estão as pessoas de tua casa aqui?” e “Onde estão as pessoas da tua casa lá?”, respectivamente. É muito importante saber as diferenças entre essas duas questões. Por quê?

Imaginemos duas situações:

SITUAÇÃO 1. Você está falando com alguém cuja família esteja toda no mesmo lugar onde você está (cidade ou país, por exemplo). Se você estiver na casa da pessoa a qual fez a pergunta, o mais correto é usar “Ana waa kër gi?” (Como vai sua família aqui?). Se estiver falando com a pessoa na rua, por exemplo, poderás usar “Ana waa kër ga?” (Como vai sua família lá).

SITUAÇÃO 2. Você está falando com alguém cuja família não esteja na mesma cidade ou país. A família dele mora, por exemplo, no Senegal e a pessoa que você está conversando mora no Brasil. Se você perguntar “Ana waa kër gi?“, (Como vai sua família aqui?) na realidade você estará perguntando: “Como estão as pessoas que moram contigo?”, ou seja, estará perguntando pelas pessoas que moram com ele no Brasil, não necessariamente sua família. Nesse caso, se você deseja perguntar como está a família da pessoa no Senegal, o mais correto é perguntar: “Ana waa kër ga?” (como vai sua família lá? [no Senegal, por exemplo]).


É isso aí pessoal. Acho que deu para ter uma ideia de uma conversação e um pouco de cultura e gramática do Wolof neste post. Ficou na dúvida? Podes deixar seu comentário abaixo. Gostou da matéria? Compartilhe ou deu um like. Comente também, isso nos dá um baita incentivo. No próximo artigo comentarei um pouco sobre a formação do Imperativo. Ba beneen yoon!

 

Fonte:

Adaptado da primeira lição do livro “J’apprends le Wolof”, de JEan-Léopold Diouf e Marina Yaguello, Éditions Karthala, 1991.

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